quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O jogo de xadrez






Por Paulo Coelho

O jovem disse ao abade do mosteiro:

- Bem que eu gostaria de ser um monge, mas nada aprendi de importante na vida. Tudo que meu pai me ensinou foi jogar xadrez, que não serve para iluminação. Além do mais, aprendi que qualquer jogo é um pecado.

- Pode ser um pecado, mas também pode ser uma diversão, e quem sabe este mosteiro não está precisando um pouco de ambos – foi a resposta.

O abade pediu um tabuleiro de xadrez, chamou um monge, e mandou-o jogar com o rapaz.

Mas antes da partida começar, acrescentou:

- Embora precisemos de diversão, não podemos permitir que todo mundo fique jogando xadrez. Então, teremos apenas o melhor dos jogadores aqui; se nosso monge perder, ele sairá do mosteiro, e abrirá uma vaga para você.

O abade falava sério. O rapaz sentiu que jogava por sua vida, e suou frio; o tabuleiro tornou-se o centro do mundo.

O monge começou a perder. O rapaz atacou, mas então viu o olhar de santidade do outro; a partir deste momento, começou a jogar errado de propósito. Afinal de contas preferia perder, porque o monge podia ser mais útil ao mundo.

De repente, o abade jogou o tabuleiro no chão.

- Você aprendeu muito mais do que lhe ensinaram – disse. – Concentrou-se o suficiente para vencer, foi capaz de lutar pelo que desejava. Em seguida, teve compaixão, e disposição para sacrificar-se em nome de uma nobre causa.

” Seja bem-vindo ao mosteiro, porque sabe equilibrar a disciplina com a misericórdia.”


Texto extraído do site:

http://paulocoelhoblog.com/



2 comentários:

Vinícius Santos disse...

A imagem é linda, adorei. Primeiramente porque sou professor de xadrez, e proque sempre estou procurando imagens diferentes.

Vinícius Santos disse...

Não sei qual seu interesse nesta área de xadrez, mas entou encaminhando meu blog.

http://xadrez-escolar.blogspot.com.br/

Adicionei o seu na minha lista de link do blog.

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